quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O que não há no Hospital de Emergência

Tudo começou quando meu namorado sofreu um acidente. Foi da necessidade de usar o serviço público de saúde que percebi tudo o que vou relatar agora. Falta compromisso, respeito, responsabilidade e equipamentos essenciais no Hospital de Emergência.
No Hospital de emergência não há gente qualificada, pode até ter dezenas de cursos, 10 folhas de currículo, mas não há sensibilidade, senso de humanidade e nem atenção aos pacientes, que por sua vez, estão com a paciência e a esperança esgotadas.
No Hospital de Emergência não há pressa. As emergências sempre podem esperar. Desde 8h da manhã até 19:30h aguardando por um simples exame de ultrassonagrafia é tempo demais para quem sente dor e corre risco de morte. Os médicos “responsáveis” pelo exame não aparecem no local.
No Hospital de Emergência não há aparelho de pressão. Se alguém desmaia, pode ter hipoglicemia, ou uma queda de pressão, mas como saber? Aí os médicos mandam aplicar um soro e/ou glicose.
No Hospital de Emergência não há leitos, sequer macas ou cadeira de rodas suficientes. Quem sai de cirurgias mais simples e precisa ficar em observação, que espere pelos corredores, ou deitado no chão, ou ainda sentado nas poucas cadeiras que existem na unidade.
No Hospital de Emergência não há ventilação. E levar ventiladores para as enfermarias, está sendo proibido. A justificativa é que eles podem causar sobrecarga de energia e um curto circuito é iminente. E o paciente é obrigado a ficar no calor e pagar por uma culpa que não é dele?
No Hospital de Emergência não há quadro de pessoal suficiente para suprir a necessidade. Mas por outro lado, penso que não há mesmo é qualificação.
Na enfermaria em que meu namorado ficou internado, apareceu um aparelho de pressão digital, mas ninguém sabia mexer nele. Um dos enfermeiros disse: é esse o sucesso da inspeção do Ministério Público...
Bom, o que percebi mesmo que não falta no hospital é descompromisso, indisposição, desrespeito, insetos, famílias de baratas nas enfermarias e nos banheiros e pombos pelo teto.
Quem vai se responsabilizar por isso tudo? Enquanto nada for feito, pessoas vão continuar morrendo por falta de compromisso e pela falta de qualidade no serviço público de saúde. Um serviço essencial e que deveria ter total atenção.Agora tem gente aí que nunca se importou, tentando se promover em cima da desgraça dos outros. A pessoa ocupa um cargo que deveria ser exercido com responsabilidade, compromisso e respeito, mas agora faz de conta que fez alguma coisa e há cerca de 6 meses, luta contra as evidências tentando ludibriar a mente do povo e acreditando que vai levar a melhor nessa. Espero sinceramente que não. Até quando vamos ser obrigados a engolir esse tipinho?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Dona Izaura não resistiu...

Na minha última postagem falei sobre o acidente de d. Izaura. Ela passou quase uma semana internada. Por coincidência a vi no Hospital. Pude ajudar a família a segurá-la no leito, enquanto ela tentava sair, segurando-se nas barras de proteção. Ela ficava inquieta, não aguentava mais a situação e era difícil contê-la. Com freqüência tentava levantar-se, por vezes puxou as linhas dos pontos que estavam na perna, querendo arrancá-los, ou se livrar das dores. Ela gemia, lamentava e pedia para morrer.
Uma das filhas me contou que ela era muito ativa. Aos 86 anos, caminhava sozinha, ia ao banco e era muito independente e forte. Ninguém imaginou que ela seria vítima de acidente e que passaria por momentos tão difíceis antes de morrer.
D. Izaura teve múltiplos traumas, entre eles traumatismo craniano. Foi difícil resistir, mas ela aguentou enquanto pode até falecer nesta manhã... Espero que a família compreenda que foi melhor assim. Agora ela já não sofre mais. Quanto ao que vai acontecer ao rapaz que a atropelou, eu ainda não sei. Providências para que o trânsito faça menos vítimas também ainda não foram tomadas.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O trânsito de Macapá

Hoje pela manhã, uma senhora foi atropelada por um motociclista em frente à TV, na rua Hildemar Maia. Este não foi o primeiro acidente que presenciamos aqui. De vez em quando, policiais militares montam uma blitz na descida da ladeira da Hildemar Maia, com a avenida Maria Quitéria. O bloqueio assusta motoristas que não estão em dia com o pagamento dos impostos, ou que estão em alta velocidade e reduzem bruscamente.
Bom, existe outra questão... Eu pago em dia o IPVA do meu carro e tudo o mais, mas tem gente que não paga e nem pensa nisso. A justificativa, completamente razoável dos outros, é que as ruas e avenidas não oferecem infra-estrutura, não há sinalização e os buracos já são tantos que a contagem é impossível, mesmo tapando, não demora surge outro maior e mais profundo.
Muitos, inclusive eu, questionam a aplicação dos recursos. Só se vê operação tapa buraco, mas implantação de semáforos, pintura de faixas, colocação de placas e tudo que torne o tráfego mais seguro, em lugar nenhum. Aí fica realmente difícil desembolsar uma grana no pagamento de impostos e não ter retorno. É injusto demais.
Bom, Macapá tem 250 anos. Tem gente que morre jovem, bonita, bem sucedida, bem cuidada, sem nenhuma plástica, apenas cuidado. Então considero inaceitável a postura e o descuido dos antigos representantes do povo com a cidade “jóia da Amazônia”, depois de mais de dois séculos de existência.
Quem tentou cuidar, e quem não manteve, eu não sei. Só sei que este cuidado deveria ser uma das prioridades de cada um dos gestores públicos. E eles esqueceram de tudo. O trânsito não é o único problema, a saúde está doente, o saneamento básico (BÁSICO) não existe para mais de 70% da população macapaense. Eu sinto vergonha! Mas quem enche o bolso desviando dinheiro público, não se importa. O que me intriga é que essas mesmas pessoas também fazem parte da população, também vivem aqui, também são gente e passeiam com seus carros nada básicos pelas ruas horrorosas da capital e é uma capital, imagina se não fosse...
Eu queria tudo diferente, mas perdoem-me, não tenho esperança nos homens. Acredito que só Deus tenha poder para resolver tudo isso. Ah! E quanto a senhora que foi atropelada, ela passa bem. Teve escoriações leves, mas levou um baita susto. O rapaz da motocicleta precisou dar explicações à Policia e foi liberado.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Enfim descanso e paz, depois de 98 anos...

Minha avó teve uma vida longa, e que vida! Foram 98 anos de experiências. Papai conta histórias fortes, emocionantes e tão profundas que não há como deixar de absorver alguma coisa. Na mente ficam as conversas lúcidas até os 95 anos, aproximadamente... Na recordação os conselhos, as piadas e o carinho e amor incondicionais que ela nutria pelo meu pai, filho mais novo dela. Para ela um bom filho, grande amigo e para mim excelente pai.
Da casa da vovó Biló, lembro com saudades do meu tempo de criança em que meus primos, irmãos e eu brincávamos por lá. O quintal era grande e tinha árvores, mas nossos pais preferiam que ficássemos dentro da casa. Tudo bem, a gente queria mesmo era brincar, não importava onde.
Bom, com o passar do tempo, a gente começa a entender que não há mais tempo, nem sequer para ver os parentes. Minhas visitas eram raras nos últimos anos. Duas, ou três semanas antes de vovó falecer, fui vê-la. Ela não estava bem. Na verdade, desde que uma de minhas tias morreu ela nunca mais foi a mesma. Minha avó já tinha perdido o marido e grande amor, quando eu tinha 1 ano. Cinco anos depois, perdeu um dos filhos e quase foi junto. Há quatro anos, morreu minha tia. Daí não percebi mais lucidez e nem vontade de viver na vovó. Mas mesmo com o coração frágil e batendo com a ajuda de um marca-passo ela resistiu por quase um século.
Foi boa mãe, avó dedicada e uma fortaleza. A morte dela, na última quarta-feira, 5 de novembro, trás dor, mas também alívio para os filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Hoje ela já não sofre mais, não pode sentir mais nada. Meu pai sente muito a perda dela, mas compreende que foi melhor assim. Todos nós sabemos disso.
Quero lembrar-me sempre das experiências, do sorriso, dos trejeitos e falar engraçado da minha avó, Benedita Côrtes de Miranda. Desejo cuidar dos meus pais com a mesma dedicação que meu pai cuidou dela até o último dia de sua vida. Ele precisa e merece essa recompensa.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sobre o resultado das eleições 2008

Creio que nós, eleitores, sejamos esperançosos incuráveis. Queremos que a nossa cidade melhore, queremos melhorar o mundo. Alguns são realistas, ou pessimistas demais e acreditam que tudo vai mudar, mas pra muito pior! Eu acho que isso é muito relativo e depende das reais intenções por trás de um mandato.
Se o candidato tem a pretensão de ir muito mais além e alçar novos vôos, ele fará sim uma boa gestão. Mas se ele usa a prefeitura simplesmente para arrecadar recursos a fim de investí-los em interesses excusos, este certamente será prefeito de um, dois mandatos e nada mais na vida, enquanto a população tiver boa memória.
Penso que hoje, essa disputa acirrada, mostra um eleitor muito mais decidido, mais alerta e mais esperto. Quem não quer uma situação diferente da que temos hoje? Uma cidade que cresce, mas ainda é considerada pequena diante das outras deveria apresentar um cenário diferente. Porém, não há comprometimento dos administradores municipais em mudar a realidade.
Desejo os próximos anos, não apenas os próximos quatro, mas os próximos eternos anos, melhores, com condições de vida adequadas. Pode ser um sonho, mas é um sonho possível. Depende da dedicação do próximo administrador, depende de cada um de nós. Não do voto, propriamente, mas dele também. Devemos cuidar do que é nosso, do nosso lixo, da nossa casa, da nossa rua. Ao prefeito cabe a adequação e infraestrutura do município. No entanto, podemos contribuir para um lugar melhor.
Quero um prefeito atuante, comprometido e preocupado com a saúde da população, com as ruas da cidade, com a qualidade do serviço público em todos os âmbitos.
Nessa época sinto uma esperança de festa de fim de ano, quando renovamos as esperanças e torcemos para que o próximo ano seja bem melhor, mais próspero, mais feliz.O novo ano começou a ser escrito e será definido neste domingo. Já vai dar para ter uma idéia do que será 2009 a partir do resultado das urnas na noite do dia 26. Encho meu coração de esperança e desejo a todos os eleitores sensatez no momento de digitar os números e confirmar o voto. Que tenhamos todos resultado satisfatório daqui a 4 anos!